NATO avalia aumento permanente das tropas no Kosovo, diz Stoltenberg | Europa

A NATO está a avaliar um aumento permanente no número de tropas que estão mobilizadas nos Balcãs Ocidentais para manter as tensões regionais sob controlo. A informação foi esta segunda-feira avançada pelo secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

A Aliança Atlântica enviou centenas de forças adicionais provenientes do Reino Unido e da Roménia para o Kosovo, depois de um confronto entre as forças de segurança do Kosovo e um grupo de sérvios armados que se barricaram num mosteiro em Banjska, no Norte do país, a 24 de Setembro.

“Estamos agora a analisar se deveríamos ter um aumento mais permanente para garantir que isto não sai do controlo e dá início a um novo conflito violento no Kosovo ou na região em geral”, disse Stoltenberg aos jornalistas durante uma visita ao Kosovo.

O tiroteio, que ocorreu em Setembro, causou novas preocupações a nível internacional sobre a estabilidade no Kosovo, que tem uma maioria étnica albanesa e declarou a independência da Sérvia em 2008.

Cerca de 50 mil sérvios que vivem no Norte do Kosovo não reconhecem as instituições de Pristina, capital do Kosovo, e consideram que Belgrado é a sua capital. Os cidadãos sérvios têm entrado frequentemente em confrontos com a polícia do Kosovo e com as forças internacionais de manutenção da paz, e o grau de violência que se verificou em Setembro foi considerado o pior dos últimos anos.

A missão de manutenção da paz Kfor da NATO, que está mobilizada na região desde o fim da guerra de 1999, conta com mais de 4500 soldados de 27 países.

Stoltenberg preocupado com a retórica separatista na Bósnia

O secretário-geral da NATO disse ainda que a aliança está preocupada com a retórica separatista na Bósnia, bem como com a influência russa no país, depois de vários líderes sérvios terem dito que se pretendem separar das instituições centrais do país e unir-se à Sérvia.

Estamos preocupados com a retórica secessionista e divisionista, bem como com a interferência estrangeira, inclusivamente da Rússia, disse Stoltenberg aos jornalistas em Sarajevo. ​O dirigente da entidade sérvia, Milorad Dodik, tem reforçado nos últimos meses a intenção de se juntar à vizinha Sérvia.

“Isto mina a estabilidade e dificulta as reformas”, afirmou, acrescentando que todos os líderes políticos devem trabalhar para preservar a unidade, construir instituições nacionais e alcançar a reconciliação entre os vários grupos étnicos.

Quase três décadas depois da guerra que matou quase 100 mil pessoas, a mais mortal das guerras que se seguiram à dissolução da Jugoslávia na década de 1990, a Bósnia continua dividida – entre os sérvios e a federação de croatas e muçulmanos bósnios , a sua economia estagnada e as pessoas continuam a abandonar o território.

A Aliança Atlântica enviou cerca de 60.000 soldados para a Bósnia após a guerra de 1992-1995, que foram substituídos por uma força de manutenção da paz da União Europeia, a Eufor em 2004. No ano passado, a UE quase duplicou o tamanho da Eufor, para 1100 soldados, dadas as preocupações com a possibilidade de expansão da guerra na Ucrânia para os Balcãs Ocidentais.

Stoltenberg disse que a NATO apoiou fortemente e trabalhou com a missão Eufor. “Não podemos e não permitiremos um vazio de segurança na Bósnia-Herzegovina”, disse depois de se reunir com Christian Schmidt, o alto-representante internacional na Bósnia.

A NATO alertou para os riscos da interferência estrangeira, especialmente da Rússia na Bósnia, e concordou em ajudar a reforçar a sua capacidade de defesa. “A NATO continua empenhada em apoiar o caminho euro-atlântico da Bósnia. Cada país tem o direito de escolher os seus acordos de segurança sem interferência estrangeira”, disse Stoltenberg depois de se reunir com a presidente do Conselho de Ministros da Bósnia, Borjana Kristo.

Embora os dirigentes do país tenham prometido avançar com os trabalhos para a integração do país na NATO, os sérvios bósnios pró-russos retiraram o seu apoio à adesão à aliança.

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